Nesse exato momento, em que começo a escrever este post, estou escutando os Paralamas do Sucesso, que "desenterrei mentalmente" há alguns dias atrás (ou seja, não tava lembrando muito deles, e de repente me deu uma vontade louca de escutar), e me trouxe boas lembranças do iníciozinho da minha adolescência. Eu cresci nos anos 90, onde a maioria dessas bandas "clássicas" de rock brasileiro já estavam nos últimos suspiros. (embora algumas estejam ainda em atividade, digo que musicalmente falando, não sobrou nenhuma... Mas isso é assunto para outro post, XD)
Ainda assim, ao ter essas lembranças da minha adolescência, fiquei me lembrando. Na época, a internet ainda era uma coisa muito restrita e extremamente sem graça, principalmente no que diz respeito a música. Então, tínhamos uma influência menor das coisas que vinham de fora, o que chegava aqui era o grande mainstream, Metallica, Green Day, Nirvana, Offspring, Oasis, entre outras mais, que passavam em rádios, MTV. Com isso, o rock brasileiro me parece que aparecia mais. Apesar de algumas tosqueiras (não me venha com biquine cavadão, por favor! Dá até briga!), a safra era muito boa: Titãs, Paralamas, Legião, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, entre outras mais que eu vou esquecer mesmo. Reescutando essas bandas hoje, percebo uma riqueza maior, tanto instrumental como em relação as letras, que naquela época muitas vezes eu não tinha ainda capacidade de compreender. As boas músicas daquela época vivem ainda hoje, mas eu fico pensando: como elas eram vistas pelos "mais velhos" e "amantes de boa música" da época?
Titãs na formação clássica: Só gente bacana, com cara de quem fugiu do hospício!
Pergunto isso porque, como uma pessoa que viu essa geração, quando eu vejo a de hoje, eu me arrepio. Happy Rock, Família Restart, Cine, Hori... Venhamos e convenhamos, aquilo é ruim pra cacete! Mas, o que quero discutir nesse texto é: como eram vistos os nossos ídolos da adolescência? Será que para os nossos pais, para os outros, eles eram tão ruins e toscos como nossos amigos de franjinha e calça colorida de hoje em dia?
Família Restart: Cara, que heresia compará-los com meus heróis dos anos 80/90!
Bom, o que eu penso sobre o assunto é o seguinte: Sempre haverá algo que as gravadoras vão vender para os adolescentes. Vêem a tendência nas ruas, nos steites, e bolam um movimento, que todo adolescente, necessitado de fazer parte de alguma coisa (eu sei, já fui um e é assim mesmo!), acaba começando a "curtir" o movimento. A mídia, o sistema, sempre vai fazer isso, porque o interesse não é em cima da qualidade da música, ou da mensagem que ela passa, e sim no lucro que ela vai gerar. Os camaradinhas da banda tem 12 anos, cabelos rídiculos, roupas piores e fazem, bem, músicas dignas de garotos de 12 anos (aposto um beijo que você me quer.... Wo-Oh-OH! AFF), com uma simplicidade instrumental de deixar Joey Ramone no chinelo? Sim. Vai vender? Sim. Ótimo! Prensa 50 000 cópias e já agenda pra eles irem buscar disco de ouro no faustão semana que vem! E aí vai aparecendo um monte de outras coisas no mesmo esquema, o Fiuk vira protagonista de malhação, aparecem com aquela "pérola" que é o Justin Bieber, criam os colírios da capricho, que cada um deles parecem ter sido tirados de uma banda de emo dessas aí.... e vamos nós!
Naquela época isso também acontecia! Basta procurar no Youtube, você vai ver Titãs fazendo playback no programa da Xuxa, Paralamas no programa da angélica, entre outras coisas. Claro que as gravadoras ditavam essas coisas antigamente, e fabricavam as coisas que eles sabiam que iriam vender, e nós fomos as vítimas deles, assim como os fãs do Justin Bieber são vítimas hoje!
Mas, uma coisa eu dou graças a Deus! Quando eu pego uma música da Legião, por exemplo (que realmente, pra quem não curtia naquela época, devia ser um saco!) e comparo, lado a lado, com qualquer coisa dessas que tem hoje, fico feliz de ter vivido nessa época! O sistema continua o mesmo, querendo vender, mas quando eu vejo essas músicas atuais, fico percebendo que ficou muito mais fácil vender uma música. Isso não se pode negar. No que tange a qualidade das músicas, de um modo geral as coisas pioraram muito de uns anos para cá.
A pergunta que eu fiz no início, é difícil ou quase impossível de ser respondida! O negócio é o seguinte: as músicas que escutei na adolescência me trouxeram muitas alegrias, embalaram romances, fossas, momentos de raiva, entre outras coisas. O que me preocupa, em relação a isso é que essas tinham uma certa qualidade, tanto em relação ao instrumental quanto em relação as letras e até as vozes. Cara, a voz semidesafinada do Herbert Vianna é ótima! Você pega esses emos todos cheios de auto-tune, que não dão uma desafinadinha! Que ser humano consegue fazer isso? Precisa disso? E hoje em dia, uma coisa que acontece não só na música, mas na sociedade de um modo geral, é que cada vez mais se importa menos com a qualidade, e isso impacta no que aparece na mídia.
Bom, é isso! Pra terminar, resolvi colocar para livre comparação, alguns trechos de músicas "antigas", e dessas coisas que tem aparecido por aí: Leia, se puder vá ao Youtube e escute, e tire suas próprias conclusões!
Até a próxima!
Quem ocupa o trono tem culpa,
Quem oculta o crime também,
Quem duvida da vida tem culpa,
Quem evita a dúvida também tem...
Engenheiros do Hawaii - Somos quem Podemos Ser
Não liga não, vem dá (sic) pra mim,
O seu carinho...
Dá pra mim,
Não se preocupe porque eu serei um bom rapaz,
Quero seus lábios, dá pra mim.
Cine - Dá pra mim
Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto, só um pouquinho infeliz.
Legião Urbana - Giz
Eu quero ver você cantar
e não ter nada que faça você parar
Eu quero ver você dançar
Como se o mundo inteiro fosse acabar
Mais uma festa, mais mais
Do que me faz bem
Restart - Sem Parar
A Televisão me deixou burro
Muito burro demais,
Agora todas coisas que eu penso,
Me parecem iguais,
O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
E agora toda noite, quando deito é boa noite, querida....
Oh! Cride, fala prá mãe,
Que eu nunca li num livro que o espirro fosse um vírus sem cura,
Vê se me entende pelo menas uma vez criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!...
Titãs - Televisão


Com certeza assim como tudo o que consumimos, o que importa é o impacto e o quão "bacana e bonito" a coisa é. Isso acontece com a comida rápida e nem um pouco saudável que consumimos, com as roupas (na verdade apenas etiquetas) cada vez mais caras por cada vez menos pano (xD), e isso não seria diferente com a música.
ResponderExcluirSorte nossa que tivemos a oportunidade de "consumir" algo que tivesse qualidade, que embalou tantos momentos bons ou ruins.
Dessa juventude e do que ela consome, resta-nos esperar e ver esse declínio.
huashoh concordo muito contigo |: quer dizer, apesar de ser meio hippie do tipo "paz e amor musical" pra respeitarem todo tipo de banda e mimimi(apesar de brincar com algumas, também, pq ngm é de ferro ahuhaahsu) eu concordo que hoje em dia ficou mesmo muito fácil vender uma música... acho que aprendi mais a respeitar pq tô sempre convivendo com muita gente de gostos diferentes, e meio que pra rolar amizade existe o respeito e blá. não que eu passe a amar auhah ou deixe de falar o que acho da banda, mas procuro fazer isso de forma mais gentil, se é que dá pra entender. um exemplo disso é o blog sobre música que participo, onde só falo de rock e mimimi enquanto meus amigos falam de bandas totalmente diferentes. enfim, eu gostei do post, mas não sou muito útil comentando, enfim²
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