O Blink-182 voltou. E aí?
Há alguns anos, não lembro bem quantos (quase quantos esse blog ficou inativo. Mas agora é pra valer. Eu juro. Ou não), após relatos de grandes brigas, batalhas de ego, cancelamentos de shows (inclusive um no Brasil) entre outras coisinhas que tornaram o clima interno da banda insustentável, o Blink 182 anunciou um hiato indefinido, que basicamente significa: "A banda acabou, não pretendemos voltar, mas se acabar o dinheiro, temos uma brecha pra voltar a ativa sem parecermos incoerentes".
E o mundo girou sem eles. Mark virou uma espécie de Timbaland do pop-punk, e montou junto com o Travis o ótimo "+44", que infelizmente lançou apenas um álbum (que por sinal, eu recomendo violentamente). Travis, além de acompanhar o Mark nessa empreitada, caiu de cabeça no Hip-Hop, gravando com grandes nomes, inclusive o falecido DJ-AM, que foi peça chave nos acontecimentos posteriores. Tom montou o fraco "Angels and Airwaves", que tem lá os seus raros bons momentos, mas que geralmente só me dá sono.
Antes de acabar o dinheiro, aparentemente, aconteceu um fato que mudou o curso da história. Travis sofreu um grave acidente aéreo, que acabou vitimando o DJ-AM. O próprio Travis passou maus bocados, teve queimaduras muito fortes e quase se foi também. Isso acabou reaproximando os três, que resolveram colocar as diferenças de lado e anunciaram o retorno da banda.
Mais de dois anos depois do anúncio do retorno, o Blink-182 finalmente começou a lançar os primeiros singles do que seria o novo álbum da banda, o "Neighborhoods".
A capa é diferente... e o conteúdo?
O lançamento oficial está programado para o dia 27/09, mas claro que o álbum já "vazou" na interwebs há alguns dias, fazendo a alegria da galera.
Eu sempre fui um grande fã do trabalho do Blink 182, principalmente do Mark Hoppus (comecei a tocar baixo influenciado por ele). Por mais que possam dizer que a banda é ruim, que eles não tocam bem ao vivo, que as músicas são simples, ou que eles foram em parte responsáveis pela onda Emo que assolou (e assola) o mundo, o fato é que tudo isso passa batido pra mim. Talvez componente nostálgico que a banda tem pra mim: na adolescência, eles eram minha banda favorita, e sempre me identifiquei muito com as letras, que, diga-se de passagem, eram realmente sobre as experiências de ser um adolescente e começar a se lançar no mundo. Hoje vejo que são letras bem bobinhas, mas na época elas estavam em acordo com o que experienciava no meu dia-a-dia.
Eu, particularmente, gostei MUITO do álbum "Blink 182" de 2003, que inseriu novas sonoridades nas músicas da banda, um pouco mais maduras do que o pop-punk ensolarado dos outros álbuns. "Neighborhoods" é como uma continuação, efetivamente, dessa evolução que começou no álbum de 2003.
O álbum, de um modo geral, tem um tom sombrio e melancólico, herança direta do "Blink 182" de 2003, e mostra uma evolução interessante no som da banda. As linhas vocais estão mais bem trabalhadas, com uma elaboração e complexidade maior. Tom e Mark conseguiram usar bem as suas vozes juntas, além de fugir um pouco do óbvio nos backing vocals, usando contracantos e harmonias diferenciadas. Instrumentalmente, dá pra notar também uma boa evolução, com riffs mais complexos e um uso interessante de teclados e sintetizadores.
Agora, o fato é: o álbum é muito bom, mas só para quem é fã da banda.
Calma, eu explico.
É notável a evolução da banda. Dá pra ver que todos os três membros se preocuparam mais com a qualidade de seu produto final, e também que aprenderam muitas coisas nesse tempo de separação. Mas o que eu vejo é que não foi suficiente para mudar a idéia das pessoas sobre a banda. É um som diferente, mas o velho Blink 182 está lá.
"Neighborhoods" não mudará o mundo. Assim como a separação ou o retorno do Blink não o fizeram. Para quem acha que o Blink é uma bandinha fraca e sem sal, não será este álbum que vai conseguir mudar esta idéia. Agora, para quem não conhece, ou era fã das antigas, vale muito a pena escutar.
Destaco positivamente as músicas "After Midnight", "Kaleidoscope", "Heart's All Gone" (Que lembra MUITO o Blink das antigas) e "MH 4.18.2011".
Enfim, para finalizar, fiquem com a minha favorita do álbum até agora, "After Midnight", uma baladinha super bem construída e com uma linha de bateria genial!



